Base de conhecimento · Engenharia de rádio
Modelos de propagação e cálculo de cobertura de sinal celular
Como se estima o alcance de uma estação rádio-base: os oito modelos de propagação implementados no Sistema Vetorial, a fórmula de cada um exatamente como o motor a executa, a faixa de validade declarada e o erro esperado contra medição de campo. Material de consulta, aberto e sem cadastro.
1 · A cadeia do cálculo
O nível de sinal previsto em um ponto sai de seis passos encadeados. A licença da estação fornece potência, ganho, altura e largura da portadora; o segundo passo compõe a potência irradiada na direção do ponto; o terceiro resolve a geometria do enlace; o quarto aplica o modelo de propagação; o quinto converte a potência do canal na grandeza que o terminal mede; o sexto compara com o limiar.
Dos seis passos, apenas o quarto muda de um modelo para outro. Os outros cinco são idênticos — é o que torna legítimo comparar os oito resultados entre si.
EIRP = P_tx + G_tx(θ,φ) − L_cabo [dBm]
P_rx = EIRP − L(modelo) + G_rx − L_corpo [dBm, canal inteiro]
métrica = P_rx − ΔG(tecnologia) [dBm, na grandeza do limiar]
A potência licenciada — e portanto o EIRP — é a do canal inteiro. O limiar contra o qual se compara, não: cada tecnologia mede uma grandeza diferente, e o desconto ΔG depende dela. Comparar potência de canal com limiar de RSRP é o erro mais comum em estudos de cobertura, e não é pequeno: medido contra 43.230 pontos de campo casados com a base licenciada, o viés era de −29,6 dB — o suficiente para desenhar de 4 a 13 vezes mais alcance do que a medição mostra.
| Tecnologia | Grandeza do limiar | ΔG aplicado | Origem |
| 2G | RxLev | 0 dB | RxLev é potência de canal — não há conversão |
| 3G | RSCP do CPICH | 10 dB | CPICH a 10% da potência da portadora — premissa padrão de planejamento UMTS, declarada |
| 4G | RSRP | 10·log₁₀(12 · N_RB) | grade LTE, 3GPP TS 36.101 · 24,8 dB (5 MHz / 25 RB) · 27,8 (10 / 50) · 29,5 (15 / 75) · 30,8 (20 / 100) |
| 5G | SS-RSRP | 10·log₁₀(12 · N_RB) na grade NR | SCS 30 kHz, 3GPP TS 38.101-1 · padrão declarado 100 MHz → 273 RB → 35,15 dB |
O que ΔG é, exatamente. RSRP é a potência de um elemento de recurso — uma subportadora —, não de um bloco. O termo 12 · N_RB é a contagem de subportadoras da portadora, e dividir a potência do canal por ela pressupõe potência uniforme entre as subportadoras. É uma aproximação declarada, não a definição normativa: a 3GPP TS 36.214 define o RSRP como a média sobre os elementos que carregam o sinal de referência específico da célula, e a TS 38.215 define SS-RSRP e CSI-RSRP sobre os elementos que carregam SSS, DM-RS ou CSI-RS, com escalonamento de potência próprio. Onde a rede não distribui a potência por igual, o ΔG real difere deste.
Sem tecnologia informada, o cálculo recua para a âncora LTE e declara o recuo — deduzir a tecnologia pelo nome da estação seria palpite; ausência declarada, não.
2 · Espaço livre — ITU-R P.525 / Friis
Perda entre duas antenas isotrópicas, sem obstáculo, sem reflexão e sem difração. Não é um modelo de predição de campo: é a referência teórica contra a qual os demais se leem.
L = 32,44 + 20·log₁₀(f) + 20·log₁₀(d)
f em MHz · d em km · faixa de validade qualquer f/d — é a referência de propagação desobstruída · erro esperado não se aplica: não é modelo de aderência a medição.
Não é um piso intransponível. A formulação pressupõe campo distante, meio homogêneo, polarizações casadas e antenas com ganho bem definido na direção do enlace. Em situações reais, multipercurso construtivo, dutos troposféricos e focalização por terreno ou por estrutura produzem, em pontos localizados, nível acima do previsto pelo espaço livre. O que o modelo entrega é a referência do caso desobstruído, não um limite físico superior.
3 · Okumura-Hata
Modelo empírico de 1980, ajustado sobre as campanhas de Okumura em Tóquio. É a referência histórica da predição em macrocélula e continua sendo a base de comparação para todos os modelos empíricos posteriores.
a(h_m) = (1,1·log₁₀ f − 0,7)·h_m − (1,56·log₁₀ f − 0,8) [cidade pequena/média]
cidade grande, dois ramos por frequência:
a(h_m) = 8,29·[log₁₀(1,54·h_m)]² − 1,10 [f < 300 MHz]
a(h_m) = 3,20·[log₁₀(11,75·h_m)]² − 4,97 [f ≥ 300 MHz]
L_urbano = 69,55 + 26,16·log₁₀ f − 13,82·log₁₀ h_b − a(h_m)
+ (44,9 − 6,55·log₁₀ h_b)·log₁₀ d
L_suburbano = L_urbano − 2·[log₁₀(f/28)]² − 5,4
L_aberto = L_urbano − 4,78·(log₁₀ f)² + 18,33·log₁₀ f − 40,94
Faixa de validade 150–1500 MHz · d 1–20 km · h_b 30–200 m · h_m 1–10 m · erro esperado 5 a 8 dB contra medição de campo. O ramo de baixa frequência da correção de cidade grande cobre a parte do domínio abaixo de 300 MHz; a diferença entre os dois ramos cresce com a altura do receptor — vai de centésimos de dB a 1,5 m até cerca de 1,8 dB a 10 m.
4 · COST-231 Hata modificado
Extensão do Okumura-Hata para a faixa de 1500 a 2000 MHz, publicada no relatório final da COST Action 231. Mantém a estrutura do original, substitui os coeficientes do termo de frequência e introduz o fator de ambiente C_m.
a(h_m) = (1,1·log₁₀ f − 0,7)·h_m − (1,56·log₁₀ f − 0,8)
L = 46,3 + 33,9·log₁₀ f − 13,82·log₁₀ h_b − a(h_m)
+ (44,9 − 6,55·log₁₀ h_b)·log₁₀ d + C_m
C_m = 0 dB em cidade de porte médio e área suburbana · 3 dB em centro metropolitano · faixa de validade 1500–2000 MHz, com extensão informal até cerca de 2600 MHz · d 1–20 km · h_b 30–200 m · erro esperado 5 a 8 dB.
5 · COST-231 Walfisch-Ikegami
Modelo semideterminístico para ambiente urbano construído. Em vez de tratar a cidade como um coeficiente médio, decompõe a perda em três parcelas: espaço livre, difração do telhado para a rua e difração sucessiva ao longo das fileiras de prédios. Exige a geometria urbana — altura dos telhados, largura da rua, separação entre construções e ângulo entre a rua e a direção da estação.
L_fs = 32,4 + 20·log₁₀ d + 20·log₁₀ f
L_LOS = 42,6 + 26·log₁₀ d + 20·log₁₀ f [quando há visada na rua]
L_ori = −10 + 0,354·φ para 0° ≤ φ < 35°
= 2,5 + 0,075·(φ − 35) para 35° ≤ φ < 55°
= 4,0 − 0,114·(φ − 55) para 55° ≤ φ ≤ 90°
L_rts = −16,9 + 10·log₁₀ f − 10·log₁₀ w + 20·log₁₀(h_telhado − h_m) + L_ori
h_b > h_telhado: L_bsh = −18·log₁₀(1 + Δh) ; k_a = 54 ; k_d = 18
h_b ≤ h_telhado: L_bsh = 0 ; k_d = 18 − 15·(Δh / h_telhado)
k_a = 54 − 0,8·Δh para d ≥ 0,5 km
k_a = 54 − 0,8·Δh·(d / 0,5) para d < 0,5 km
k_f = −4 + 0,7·(f/925 − 1) cidade média/suburbana
= −4 + 1,5·(f/925 − 1) centro metropolitano
L_msd = L_bsh + k_a + k_d·log₁₀ d + k_f·log₁₀ f − 9·log₁₀ b
L = L_fs + L_rts + L_msd (quando L_rts + L_msd > 0; senão L = L_fs)
w largura da rua · b separação entre fileiras de prédios · φ ângulo entre o eixo da rua e a direção da estação · Δh = h_b − h_telhado · faixa de validade 800–2000 MHz · d 0,02–5 km · h_b 4–50 m · h_m 1–3 m · erro esperado 5 a 8 dB. É o modelo mais sensível à qualidade do inventário urbano informado.
O segundo ramo de k_a vale quando a antena está abaixo da linha dos telhados e a menos de 500 m — justamente o caso da microcélula urbana. Ignorá-lo superestima a perda por vários dB: com h_b = 12 m, telhados a 20 m e 1800 MHz, a diferença é de 5,1 dB a 100 m, 2,6 dB a 300 m e zero a partir de 500 m.
6 · Erceg — IEEE 802.16 / SUI
Modelo de acesso sem fio de banda larga, com o expoente de perda derivado da altura da estação e da categoria do terreno: A para terreno acidentado com vegetação densa, B intermediário, C para terreno plano com pouca vegetação.
γ = a − b·h_b + c / h_b
categoria A (urbano) a = 4,6 b = 0,0075 c = 12,6
categoria B (suburbano) a = 4,0 b = 0,0065 c = 17,1
categoria C (aberto) a = 3,6 b = 0,0050 c = 20,0
A = 32,44 + 20·log₁₀ f + 20·log₁₀ d₀ com d₀ = 0,1 km
ΔPL_f = 6·log₁₀(f / 2000)
ΔPL_h = −10,8·log₁₀(h_m / 2) categorias A e B
= −20,0·log₁₀(h_m / 2) categoria C
ΔPL_θ = 0,64·ln(θ/360) + 0,54·[ln(θ/360)]²
L = A + 10·γ·log₁₀(d / d₀) + ΔPL_f + ΔPL_h + ΔPL_θ
θ abertura de meia-potência da antena, em graus · faixa de validade 1900–3500 MHz · d 0,1–8 km · h_b 10–80 m · h_m 2–10 m · erro esperado 5 a 8 dB. A escolha da categoria de terreno é a variável de maior impacto: ela governa o expoente γ, isto é, a inclinação da curva.
7 · 3GPP TR 38.901 — UMa (macrocélula urbana)
Modelo normativo da indústria móvel para LTE avançado e 5G NR. Trabalha com distância tridimensional, distância de breakpoint e dois regimes — com e sem visada —, com a imposição de que o valor sem visada nunca fique abaixo do valor com visada.
d₃D = √(d₂D² + (h_BS − h_UT)²)
d_BP = 4 · h′_BS · h′_UT · f_c[Hz] / c com h′ = h − 1 m · c = 3×10⁸ m/s
LOS, d₂D ≤ d_BP: PL = 28,0 + 22·log₁₀ d₃D + 20·log₁₀ f_c
LOS, d₂D > d_BP: PL = 28,0 + 40·log₁₀ d₃D + 20·log₁₀ f_c
− 9·log₁₀(d_BP² + (h_BS − h_UT)²)
NLOS: PL = max( PL_LOS ,
13,54 + 39,08·log₁₀ d₃D + 20·log₁₀ f_c − 0,6·(h_UT − 1,5) )
Atenção às unidades — elas mudam dentro da mesma seção. Nos termos 20·log₁₀ f_c a frequência entra em GHz; na expressão do breakpoint, dividida pela velocidade da luz, entra em Hz. As distâncias d₂D e d₃D estão em metros. Para 3,5 GHz com h_BS = 25 m e h_UT = 1,5 m o breakpoint é de 560 m; quem puser 3,5 no lugar de 3,5×10⁹ obtém 5,6×10⁻⁷ m e erra por nove ordens de grandeza.
Faixa de validade 0,5–100 GHz de referência · d₂D de 10 m a 5 km · h_UT 1,5–22,5 m · erro esperado 4 a 8 dB. Fora de 5 km o resultado continua saindo e vem marcado — é extrapolação, não bloqueio.
8 · 3GPP TR 38.901 — RMa (macrocélula rural)
Cenário rural da mesma norma. Existe porque o UMa, aplicado em área aberta, é pessimista por volta de três vezes: o modelo urbano cobra do sinal uma cidade que ali não existe. O RMa é a resposta da própria norma a esse cenário, não um ajuste da plataforma.
Constantes da Tabela 7.4.1-1 adotadas e declaradas:
W = 20 m largura média da rua
h = 5 m altura média das construções
d_BP = 2π · h_BS · h_UT · f_c[Hz] / c (não é o 4·h′·h′ do UMa)
PL₁(x) = 20·log₁₀(40π·x·f_c / 3)
+ min(0,03·h^1,72 ; 10,0)·log₁₀ x
− min(0,044·h^1,72 ; 14,77)
+ 0,002·log₁₀(h)·x
LOS: PL = PL₁(d₃D) se d₂D ≤ d_BP
= PL₁(d_BP) + 40·log₁₀(d₃D/d_BP) se d₂D > d_BP
NLOS: PL = max( PL_LOS ,
161,04 − 7,1·log₁₀ W + 7,5·log₁₀ h
− (24,37 − 3,7·(h/h_BS)²)·log₁₀ h_BS
+ (43,42 − 3,1·log₁₀ h_BS)·(log₁₀ d₃D − 3)
+ 20·log₁₀ f_c
− (3,2·[log₁₀(11,75·h_UT)]² − 4,97) )
Faixa de validade 0,5–30 GHz · d de 10 m a 10 km com visada e a 5 km sem visada · h_BS 10–150 m · h_UT 1–10 m · erro esperado 4 a 8 dB. O ganho do RMa é de cenário, não de precisão declarada: contra 147.557 pontos medidos em campo, todos os modelos empataram entre 6,9 e 8,3 dB.
9 · Log-distância
Reta de atenuação com expoente configurável, ancorada no espaço livre a uma distância de referência. É o modelo que se calibra com medição local: o expoente n deixa de ser tabelado e passa a vir do drive test da própria região.
d₀ = 1 km
L(d₀) = 32,44 + 20·log₁₀ f + 20·log₁₀ d₀
L(d) = L(d₀) + 10·n·log₁₀(d / d₀)
Faixa de validade qualquer f/d, com n configurável · abaixo de d₀ = 1 km o modelo sai do domínio e o resultado é marcado, porque a reta com n > 2 fura o espaço livre · erro esperado 5 a 8 dB, dependente da calibração. Referência: Rappaport (2002).
Em campanha própria de drive test em Goiânia — 68 células, 290 pares, distância aferida por timing advance — o expoente medido foi n = 2,7, com viés de −0,21 dB e erro equivalente de 6,51 dB por posição. O Okumura-Hata pressupõe n entre 3,2 e 3,6 conforme a altura, o que deixa a mancha de 1,3 a 1,4 vez mais curta naquele sítio.
10 · Difração por gume-de-faca
Acréscimo aplicável sobre qualquer um dos modelos acima, para um obstáculo isolado no perfil do terreno. Aproximação da ITU-R P.526.
λ = 300 / f [m, com f em MHz]
ν = h · √( (2/λ) · (1/d₁ + 1/d₂) )
J(ν) = 0 se ν ≤ −0,78
J(ν) = 6,9 + 20·log₁₀( √((ν−0,1)² + 1) + ν − 0,1 )
h altura do obstáculo acima da linha entre as antenas · d₁, d₂ distâncias do obstáculo a cada extremidade. O cálculo comum considera um único obstáculo, informado à mão; o perfil topográfico completo usa elevação digital SRTM.
11 · Faixas de validade, lado a lado
Cada modelo declara em que domínio foi ajustado. Fora dele o resultado continua aparecendo, marcado com ⚠ — o sistema calcula e avisa, não esconde e não bloqueia.
| Modelo | Faixa de validade declarada | Erro esperado |
Espaço livre ITU-R P.525 | qualquer f/d — referência de propagação desobstruída, em campo distante | não se aplica |
| Okumura-Hata | 150–1500 MHz · d 1–20 km · h_b 30–200 m · h_m 1–10 m | 5 – 8 dB |
| COST-231 Hata | 1500–2000 MHz · d 1–20 km · h_b 30–200 m | 5 – 8 dB |
| COST-231 Walfisch-Ikegami | 800–2000 MHz · d 0,02–5 km · h_b 4–50 m · h_m 1–3 m | 5 – 8 dB |
Erceg IEEE 802.16 / WiMAX | 1900–3500 MHz · d 0,1–8 km · h_b 10–80 m · h_m 2–10 m · categorias A/B/C | 5 – 8 dB |
| 3GPP TR 38.901 UMa | 0,5–100 GHz de referência · d₂D 10 m–5 km · h_UT 1,5–22,5 m · macrocélula urbana | 4 – 8 dB |
| 3GPP TR 38.901 RMa | 0,5–30 GHz · d 10 m–10 km (LOS) / 10 m–5 km (NLOS) · h_b 10–150 m · h_m 1–10 m | 4 – 8 dB |
| Log-distância | qualquer f/d · n configurável · d ≥ d₀ = 1 km | 5 – 8 dB |
Nem todo aviso pesa igual. Quando o parâmetro fora de faixa entra na inclinação da curva — a altura efetiva no Hata, no COST-231 e no RMa, ou a altura da estação no Walfisch-Ikegami — o aviso é grave, porque desloca o resultado em toda a distância, não apenas no ponto.
12 · Do nível de sinal ao veredito
O nível calculado sozinho não classifica nada. A compatibilidade sai de dois critérios independentes — a margem de potência e o alinhamento angular ao setor — e vale o pior dos dois. Uma antena pode entregar potência de sobra num ponto que está fora do lóbulo, e a régua precisa dizer isso.
| Grau | Ângulo (Δ entre o rumo e o azimute, meia-abertura h) | Margem = sinal − limiar | Rótulo |
| 0 | Δ ≤ 0,5·h | M ≥ +10 dB | Alta compatibilidade técnica estimada |
| 1 | 0,5·h < Δ ≤ h | 0 ≤ M < +10 dB | Compatibilidade técnica moderada |
| 2 | h < Δ ≤ h + 25° | −15 ≤ M < 0 dB | Compatibilidade técnica marginal |
| 3 | h + 25° < Δ ≤ h + 70° | −40 ≤ M < −15 dB | Baixa compatibilidade técnica estimada |
| 4 | Δ > h + 70° | M < −40 dB | Incompatibilidade técnica estimada |
Os intervalos são exclusivos e avaliados em ordem: cada linha vale o primeiro grau que satisfaz, do 0 para o 4. Um ponto exatamente em +10 dB é grau 0; em 0 dB, grau 1; em −15 dB, grau 2; em −40 dB, grau 3. O limiar de referência padrão é −110 dBm em RSRP, ajustável no formulário. Antena declarada omnidirecional não é penalizada pelo critério angular; nesse caso a classificação passa a depender só da margem de potência. Um mesmo nível de sinal muda de rótulo conforme a geometria — quem lê a tabela de comparação sem o critério angular à vista lê metade da régua.
13 · Erro esperado e o que não entra na conta
Predição de propagação não é medição. A faixa de erro declarada é parte do resultado, e comparar modelos serve para medir a sensibilidade da conclusão: convergência entre eles reforça a conclusão, divergência mostra que ela depende da escolha do modelo — o que já é informação.
O que as faixas de 4–8 e 5–8 dB são, e o que não são. São a faixa de aderência a medição de campo que esta plataforma declara, vinda da literatura de campanhas de drive test e confirmada por medição própria — não são o desvio de shadow fading das tabelas da TR 38.901, que é outra grandeza e varia por cenário e por regime com ou sem visada. Também não são garantia por modelo: contra 147.557 pontos medidos em campo, os oito modelos empataram entre 6,9 e 8,3 dB. Trocar de modelo não é a alavanca de precisão; o que muda o resultado é acertar o cenário e os parâmetros de entrada.
| Referência de comparação | Erro (RMSE) |
| Modelos empíricos clássicos contra medição de campo | 5 – 8 dB |
| Aprendizado de máquina sobre dados de drive test | 5,9 – 8,2 dB |
| Rede neural profunda com imagem de satélite | ≈ 4,3 dB |
| Modelos de atenuação por vegetação (Weissberger, ITU-R P.833, Chen & Kuo) | 5,1 – 5,6 dB |
O que nenhum destes modelos contempla: MIMO, conformação de feixe, agendamento de rede, tilt mecânico ou elétrico, carga da rede, handover e parâmetros proprietários da operadora. Também não entram aqui a ITU-R P.1546, a ITU-R P.1812 e o Longley-Rice completos, que exigem dados que não cabem com fidelidade em um formulário fechado — resultados dessas ferramentas podem ser informados como valor externo, para comparação lado a lado.
Todas as fórmulas desta página são as que o motor de cálculo executa, transcritas do código em produção. As faixas de validade e as faixas de erro são as que o próprio sistema declara em cada estudo.
O resultado não é uma afirmação automática de presença ou de conexão: é base técnica rastreável para planejamento, triagem, perícia e validação em campo — sem substituir medição de campo, informação oficial da operadora ou a avaliação de profissional legalmente habilitado quando exigida.